De uma única árvore nascem mil flores; todas as escolas do caminho sob o céu formam uma só família. Mil são as metamorfoses da magia, mas o coração humano permanece imutável através das eras.
Era setembro, e o outono trazia consigo uma leve friagem. Na alvorada, quando a noite e o dia se entrelaçavam, a vila de Campos Grandes permanecia adormecida sob um denso nevoeiro. Apenas alguns caçadores diligentes já haviam partido para as montanhas em busca de caça, e, de tempos em tempos, o canto de um galo ou o latido de um cão mal perturbavam o sono profundo da vila, logo engolidos pelo silêncio.
Aqueles que viviam junto à montanha, dependiam dela; aqueles próximos à água, dela tiravam seu sustento. Apesar do nome auspicioso que desejava terras férteis para o cultivo, a vila de Campos Grandes tinha poucos campos, e estes eram pobres, forçando gerações a viver da caça.
Com o terceiro canto do galo, o céu começava a clarear e as ruas lentamente ganhavam movimento. O som de jovens praticando artes marciais ecoava pela vila. A maioria dessas vozes era juvenil, pois eram os adolescentes que, com empenho e determinação, treinavam arduamente desde cedo, sonhando ultrapassar os habilidosos Qin Haoxuan e Zhang Kuang, seus maiores exemplos.
No coração desses jovens, para além do desejo de superar os dois, existia um sonho quase etéreo: serem aceitos como discípulos pelos imortais que, diziam, habitavam o Monte Pequena Ilha, adquirindo habilidades extraordinárias. No mínimo, queriam tornar-se exímios caçadores.
Num casarão imponente no lado oeste da vila, Qin Haoxuan, o principal modelo a ser superado, ainda dormia profundamente.
Dentre todos, Qin Haoxuan era o mais talentoso. Dormia até tarde, mas, quando acordava, destacava-se entre seus pares.