Relato da rebelião de Ah Q

Relato da rebelião de Ah Q

Autor: Yang Qizi
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Na mente de Ah Q havia um demônio, que o instigava a subir passo a passo, de empregado a polícia de ronda, depois a senhor da ilha, até tornar-se um grande general de uma região, capaz de comandar o v

Na cabeça de A Q havia um fantasma.

Diz-se que Á-Q, depois de levar uma surra do letrado Zhao, ficou com a cabeça e o corpo cheios de inchaços. Voltou cabisbaixo ao Santuário de Terra e Grãos e deitou-se, mas, no meio da noite, acordou gemendo de dor e, com espanto, percebeu que tinha um fantasma dentro da cabeça.

Esse fantasma conhecia, de um extremo ao outro, os cinco mil anos passados e o universo inteiro; tudo sabia, tudo entendia. Trazia no corpo uma hostilidade feroz e, na alma, mil artifícios. Não respeitava o Céu, a Terra, os deuses nem os espíritos; não temia o governo nem o imperador. Era um fantasma da civilização futura, sem lei nem freio.

“Tsé! Uma coisa dessas não deve cair no inferno mais fundo?”

Foi o que Á-Q pensou. Amanhã, haveria de procurar um homem de jejum para fazer um ritual e expulsá-lo; era evidente que aquilo era a raiz de toda desgraça.

Mas...

Todos os seus trocados tinham ido embora como compensação, junto com a única trouxa de roupa e cobertas; além das calças curtas de pano grosso que trazia no corpo, não possuía nem um vintém.

E o pior: o velho patriarca Zhao já escolhera seu rival, o pequeno D., para ocupar seu lugar como empregado. Em Wei, Á-Q não ganharia mais um único trocado.

Quem mandara ele procurar a própria ruína, a ponto de ousar molestar a ama Wu, a única mulher que servia na casa Zhao?

Os caroços na cabeça doíam ainda mais; os hematomas deixados pelos golpes ardiam por todo o corpo, e ele mal conseguia se mexer. Á-Q gemeu:

“Chi... maldito letrado Zhao, essa besta que disputa mulher comigo, bateu até matar... M

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